ANÁLISE TÉCNICA PARA INICIANTES

Todo mundo que já teve algum contato com o mundo dos investimentos, com certeza, já se deparou com um gráfico alguma vez na vida. Os gráficos nada mais são do que as representações visuais e consolidadas dos movimentos dos preços. Porém, eles guardam muito mais informações do que os olhos não treinados conseguem perceber.

Praticamente eles são uma forma de comunicação que o mercado apresenta para os traders e investidores. E, assim como qualquer idioma, é possível decifrar esta linguagem e entender o que o mercado está tentando dizer.

Entretanto, se existe algo que divide opiniões, é a Análise Técnica. Existem ferozes defensores e detratores em ambos os lados. Entretanto, deixemos as emoções de lado, e vamos focar em procurar entender os seus fundamentos antes de iniciarmos as críticas e elogios. Através do estudo e conhecimento teremos um embasamento teórico mais sólido. Para, então, podermos chegar em conclusões adequadas. Assim poderemos responder se a Análise Técnica é uma “voddoo science” ou se, de fato, possui aplicação prática no mundo dos investimentos.

Portanto caros traders e investidores, bem-vindos à nossa série de artigos sobre a Análise Técnica. Nesta série teremos como objetivo desmistificá-la, para que à luz da informação e do conhecimento, você investidor possa decidir se esta ferramenta irá ou não fazer parte do seu arsenal de investimentos. E, caso decida por adotá-la, que tenha um conhecimento adequado para ser capaz de extrair o máximo que ela permite.

FERRAMENTAS DE ANÁLISE

Assim como um martelo ou um serrote, a Análise Técnica é uma ferramenta de trabalho. Ferramenta esta que nos auxilia na análise de investimentos. Como quaisquer outras ferramentas de trabalho ela possui: características, propósitos e usabilidade próprios.

Perguntas como: perfil de risco e do investidor, horizonte temporal de investimentos, tempo disponível para acompanhar os investimentos e, até mesmo, gosto pessoal, são questões a serem levadas em consideração na escolha de qual técnica de análise escolher. No fim das contas, a escolha está muito mais ligada ao investidor do que ao Mercado.

Antes de falarmos dos gráficos, figuras, candles e indicadores; daremos um passo atrás. Apesar de menos divertido, o conhecimento dos fundamentos da Análise Técnica é vital para qualquer praticante. Ao entendermos sua história, onde surgiu, qual a sua filosofia e objetivos, suas definições e conceitos; podemos entender em que situações a sua utilização é mais adequada como ferramenta para nossos investimentos.

De nada adianta eu querer apertar o botão de ligar, se nem ao menos sei para que serve a ferramenta.


HISTÓRIA

Fazendo um breve resumo histórico, os primeiros registros do uso Análise Técnica surgiram no Japão, nas bolsas de arroz de Dojima, ainda no século XVIII. Sua criação é atribuída a Munehisa Homma.

E aqui colocamos mais lenha na fogueira na discussão entre Análise Técnica x Análise Fundamentalista. Segundo os registros históricos, a Análise Técnica é muito mais antiga do que a sua “rival” Análise Fundamentalista. Enquanto a primeira tem sua origem no século XVIII, a segunda tem seu início com os ensinamentos de Benjamin Graham e Philip Fischer – no século XX. Portanto, AT sai vencedora no quesito teste do tempo.

Porém, a AT só viria a se popularizar no ocidente no início do século XX, com as traduções do método japonês feitas por Steve Nison. E posteriores estudos e contribuições de Charles Dow (no que viria a se transformar na Teoria de Dow, alicerce sobre o qual se sustenta toda a Análise Técnica).

PREMISSAS DE FUNCIONAMENTO

A Análise Técnica trabalha com a premissa de que o comportamento humano (e consequentemente o comportamento dos preços dos ativos) possui padrões que se repetem ao longo do tempo. Ao estudar e identificar estes padrões e movimentos passados, pode-se projetar qual o comportamento futuro dos preços, seguindo uma lógica probabilística.

Portanto, diferentemente da Análise Fundamentalista, a AT não está preocupada com os fundamentos da empresa e nem analisar de forma qualitativa os ativos. Seu foco é único e exclusivamente com o movimento dos preços, procurando e identificando padrões através de diferentes instrumentos.

E para os que ainda têm suas dúvidas a respeito deste método de análise. Andrew Lo, um dos papas do MIT (Massachusetts Institute of Technology), mostrou a capacidade preditiva da Análise Técnica por meio de uma abordagem automática e sistemática de reconhecimento de padrões gráficos, utilizando regressão não paramétrica de Kernel, em seu clássico "Foundations of Technical Analysis: Computational Algorithms, Statistical Inference, and Empirical Implementation".

ESPECULAÇÃO X INVESTIMENTO

A Análise Técnica está intimamente ligada ao timing de entrada e saída nas operações. Comumente sendo associada a uma técnica voltada mais para a especulação financeira do que investimentos de longo prazo. Esta afirmação, porém, é uma meia verdade.

É fato, sim, que a questão do timing é fundamental ao se utilizar os gráficos. Entretanto, o trader e investidor podem determinar qual o período gráfico irão utilizar, o adequando ao seu próprio perfil.

Para o investidor com mais tempo para monitorar os seus investimentos, voltado para resultados de curto e médio prazo e entusiasta da especulação; o uso de tempos gráficos menores se torna mais adequado. Entretanto, aqui é necessário bastante agilidade operacional.

Para o investidor sem muito tempo para monitorar os seus investimentos, que tem outras demandas durante a semana, e preocupado com a construção patrimonial no médio e longo prazo; tempos gráficos maiores se encaixam melhor no seu perfil. Podemos citar o uso de gráficos: diários, semanais e mensais.

Porém, também podemos ir por uma terceira. Combinando tempos gráficos diferentes. O investidor pode muito bem ter uma alocação estratégica, visando o longo prazo e utilizando gráficos maiores para a tomada de decisão. Ao mesmo tempo, pode utilizar tempos gráficos menores para se aproveitar do market timing em uma alocação tática de sua carteira.

Até mesmo para operações de daytradeé comum o uso de múltiplos tempos gráficos em conjunto. Técnica conhecida como double ou triple screening.

No fim das contas a escolha da ferramenta na hora de investir está muito mais ligada ao investidor do que ao Mercado. Não existe melhor ou pior, existe aquilo que melhor se adequa ao seu perfil e objetivos. Portanto, antes de iniciar os investimentos, procure se conhecer melhor e listar quais são os seus objetivos e necessidades.

Um grande abraço!

Pedro Canto @ Hub do Investidor

Analista de Investimentos

CNPI-T | CEA | PQO | MBA