Certa vez ouvi de um trader experiente (ex-scalper do pregão viva-voz) que o trading é uma arte, e cada um tem a sua própria arte, seu estilo e suas peculiaridades.

A verdade é que existem diversas formas de ganhar dinheiro no mercado financeiro. Assim como adeptos da Análise Fundamentalista possuem diversos métodos e filosofias de investimento à sua disposição, no universo da Análise Técnica isto também é verdade.

Existe uma infinidade de indicadores técnicos, timeframes, estilos operacionais (operações a favor da tendência ou de reversão à média, por exemplo). As possibilidades de operações são muitas.

Assim, no post de hoje irei descrever como funciona o meu modelo operacional (também chamado de Trading System). Irei percorrer todos os níveis do meu processo de tomada de decisão que desenvolvi ao longo dos meus anos de mercado.


Porém, antes de iniciarmos, cabem algumas ressalvas.


Após anos no Mercado Financeiro, já passei da fase de acreditar que existem métodos que sejam superiores ou melhores do que outros. Análise Técnica, Price Action, Tape Reading, gráfico Renko, gráfico temporal, Fibonacci, reversão a média, estratégias automatizadas...

A infinidade de técnicas operacionais e ferramentas de análise beira quase o infinito. Seria muita inocência (arrogância?) afirmar que existe um método que seja superior aos outros. Ou, pretensão maior ainda, afirmar que o meu método é o melhor, infalível, a fórmula mágica.

Acredito que todas as técnicas operacionais são vencedoras. A consistência de ganhos está muito mais atrelada à sua disciplina como trader/investidor em seguir o plano e o seu trading system, do que a escolha de qual trading system seguir.

Veja, isto não é uma exclusividade apenas da Análise Técnica. Ao observamos a Análise Fundamentalista constatamos a mesma coisa: Value Investing, Growth Investing, Long Bias, Long Only, Long & Short, Short Seller, Múltiplos, Reversão à Média, Dividendos (renda)...

Temos diversos racionais de investimento, e tem gente ganhando dinheiro com todos eles. Até mesmo os utilizando em conjunto, visto que não são, de forma alguma, excludentes e sim, complementares. A tal da diversificação não se aplica apenas à ativos e classes de ativos. Ela também é aplicada a técnicas operacionais e aos racionais de investimento.


FERRAMENTAS DE TRABALHO

Temos como saber, de antemão, qual a melhor ferramenta sem nem ao menos saber onde ou para qual trabalho vamos utilizá-la? Obviamente que não! Incorremos no risco de escolhermos um pincel de aquarela para pintar a fachada de um edifício.


Portanto, a resposta correta para a pergunta é: depende!


Assim como o martelo e o serrote, a análise técnica e a análise fundamentalista também são ferramentas de trabalho. Ferramentas estas que nos auxiliam na análise de investimentos.

E, assim como as ferramentas de trabalho, ambas as escolas de análise possuem características e propósitos diferentes. E são estas características que irão nos dizer em que situações e para quais objetivos as ferramentas serão mais bem utilizadas.

Perguntas como: perfil de risco e do investidor, horizonte temporal de investimentos, tempo disponível para acompanhar os investimentos e, até mesmo, gosto pessoal, são questões a serem levadas em consideração na escolha de qual técnica de análise escolher. No fim das contas, a escolha está muito mais ligada ao investidor do que ao Mercado.


O MEU TRADING SYSTEM

Basicamente o meu processo de tomada de decisão é dividido em 4 níveis. Eles seguem uma determinada ordem e hierarquia, desta forma, consigo utilizar um modelo que se assemelha com um funil.

O primeiro nível de análise contém muito mais informações e, à medida que vou descendo na hierarquia de análise, as informações vão diminuindo; já que os meus filtros vão ficando mais rígidos.

Desta forma, ao final do processo, consigo descartar oportunidades medianas ou com baixa probabilidade de se concretizarem. Ficando apenas com os bons investimentos.


1. CONTEXTO

O que melhor descreve este primeiro nível de análise é a pergunta: O QUÊ?

O que está acontecendo no mundo e nos mercados financeiros? Qual o principal driver do momento? Qual a agenda econômica do dia e da semana? Temos vencimento de opções e de contratos futuros? É final de mês, trimestre ou semestre? Como fecharam os mercados na Ásia? Como estão os mercados Norte-Americanos (S&P500, NASDAQ e Dow Jones)? Como estão as commodities e o comportamento do dólar perante a cesta de moedas? Aversão ou apetite ao risco? Alta ou baixa volatilidade?

São as respostas para estas perguntas que irão determinar qual o contexto em que o mercado se encontra e de que forma irei me posicionar. Do lado comprador, do lado vendedor ou somente assistir o desenrolar da história, sem viés.


2. LOCALIZAÇÃO

O que melhor descreve o segundo nível de análise é a pergunta: ONDE?

Após estar a par dos acontecimentos da economia e já ter decidido se irei comprar, vender ou não irei fazer nada; é hora de determinar onde eu irei entrar na operação. Em qual preço ou qual região de preços.

Para me auxiliar nesta tarefa utilizo a Análise Técnica. Mais especificamente o estudo das figuras gráficas e suportes e resistências. São eles que irão me indicar onde será o melhor ponto de entrada, saída e stop das minhas operações.


3. TIMING

O que melhor descreve o terceiro nível de análise é a pergunta: QUANDO?

Uma ideia boa em uma hora ruim, é uma ideia ruim. Eu, como analista e trader, considero o famoso market timing de suma importância para o sucesso dos seus trades e investimentos.

E para esta tarefa também utilizo a Análise Técnica como ferramenta. Para este nível do processo de tomada de decisão utilizo os padrões de candlesticks para me indicarem o timing correto de entrada das operações.


4. GERENCIAMENTO DE RISCO

O que melhor descreve o quarto nível de análise é a pergunta: QUANTO?

Último, mas não menos importante, é esta etapa que irá determinar qual o tamanho da minha posição (sizing) e se aquele risco que estou prestes a correr vale a pena ou não. Para o cálculo do risco me baseio em estatística e probabilidade.

Caso a oportunidade tenha sido aprovada pelos três primeiros filtros, mas falhou em passar no último processo, tudo o que tenho a fazer é desistir da operação e esperar por uma nova oportunidade.

Ao final do processo decisório o objetivo é fazer com que o possível trade ou investimento tenha passado por um processo rigoroso e diligente. Assegurando que somente os melhores investimentos sejam feitos: com um baixo risco, tamanho de posição (alavancagem) adequado e uma alta probabilidade de sucesso.

O mais importante para o investidor é a realização da gestão de risco. Afinal, a atividade de investir não é sobre não correr riscos, mas sobre como administrá-los.


Nos vemos em breve. Ótimos trades!


Pedro Canto @ Hub do Investidor

Analista de Investimentos

CNPI-T | CEA | PQO | MBA