A economia mundial se encontra em uma delicada situação. A inflação continua persistentemente elevada e corroendo o poder de compra da população que, por motivos de sobrevivência, se vê obrigada a mudar seus hábitos de consumo; prejudicando a economia.

Por outro lado, temos fortes indícios de uma iminente recessão pela frente. Indicadores econômicos fracos, políticas monetárias restritivas e curva de juros invertida são alguns dos sinais que nos indicam o árduo caminho que as economias irão enfrentar no futuro próximo.

E é justamente sobre um destes pontos que vamos falar no post de hoje. Algo que vem tirando o sono de todo o mercado financeiro mundial e que, historicamente, foi prenúncio de grandes crises financeiras no passado. Estamos falando da inversão da curva de juros.



CURVA DE JUROS INVERTIDA

A inversão da curva de juros ocorre quando o rendimento dos títulos com vencimento em 2 anos do Tesouro americano (T-Bill) supera o rendimento dos títulos com vencimento em 10 anos (T-Note).

Em uma economia “saudável” a curva de juros apresenta um comportamento ascendente, ou seja, títulos curtos pagam um rendimento (yield) menor do que os títulos longos.

O que é natural, visto que investimentos no longo prazo apresentam maiores riscos e incertezas, consequentemente, o investidor/credor exige uma maior taxa de retorno.

Porém existe um outro motivo para a curva apresentar juros mais altos nos vencimentos mais longos. Como a economia está saudável, em algum momento à frente ela irá superaquecer, fazendo com que o Banco Central tenha que subir os juros no futuro para esfriá-la. Desta forma a curva de juros positivamente inclinada precifica este movimento futuro.

Se, por um lado, uma curva de juros ascendente sinaliza uma economia saudável. Por outro lado, uma curva de juros invertida é prenúncio de crise e recessão. E esta inversão vem preocupando os investidores de todo o mundo, visto que, historicamente, a inversão precedeu todas as últimas grandes crises financeiras do último século.



O gráfico abaixo ilustra este padrão de comportamento histórico. A diferença entre as taxas de curto e longo prazo dos títulos do Tesouro americano (respectivamente 2 e 10 anos) se encontram negativas (consequências da curva invertida) e em patamares muito próximos a momentos que, historicamente, precederam grandes crises financeiras.

Nos encontramos em um cenário altamente incerto e delicado. Os números de inflação reafirmam que as pressões sobre os preços continuam desenfreadas e generalizadas em toda a economia.

Os dados de inflação manterão as autoridades do FED em um curso de política agressiva para conter a demanda e pressiona o presidente Joe Biden e os democratas do Congresso, cujo apoio caiu antes das eleições de meio de mandato.

Vários fatores, como a habitação, mantêm as pressões de preços elevadas por mais tempo. Riscos geopolíticos, incluindo bloqueios de Covid na China e a guerra da Rússia na Ucrânia, também representam riscos para as cadeias de suprimentos e as perspectivas de inflação.

O jogo de xadrez que a economia vem disputando com os investidores é árduo. As incertezas continuam e a matriz de possibilidades futura permanece bem ampla.

O melhor cenário possível seria um desfecho breve e positivo no conflito entre Rússia e Ucrânia eliminaria boa parte da incerteza e riscos sistêmicos. Contribuindo para a pressão no preço das commodities e ativos de proteção (mais especificamente o dólar).

Preços das commodities mais baixos, consequentemente, diminuíram a pressão inflacionária. Com uma pressão menor nos preços os Bancos Centrais se encontrariam em uma situação mais favorável em sua condução de política monetária, beneficiando ativos de risco.


Nos vemos em breve. Ótimos trades!


Pedro Canto @ Hub do Investidor

Analista de Investimentos

CNPI-T | CEA | PQO | MBA