ANÁLISE TÉCNICA PARA INICIANTES | Parte 2

Caros leitores, bem-vindos a mais um artigo da nossa série sobre Análise Técnica! Nesta Parte 2 vamos nos aprofundar nos ensinamentos da Teoria de Dow. O arcabouço teórico sobre qual toda a Análise Técnica é construída. A sua aplicação, e consequentemente seus trades e investimentos, ficam muito melhores ao entender e fixar os conceitos que iremos abordar no artigo de hoje.

Se você chegou agora e está um pouco perdido, não tem problema! Aqui está o link para a Parte 1 da série. Confere lá!

TEORIA DE DOW

A teoria, apesar de secular, é quem norteia, rege e embasa o conhecimento mundial sobre a Análise Técnica. Ela foi criada em 1984 por Charles Henry Dow. Dow foi o cofundador da Dow Jones & Company e, também, o fundador do The Wall Street Journal, que se tornou uma das mais respeitáveis publicações sobre economia do mundo.

Como se não bastasse, Charles Dow também inventou o famoso índice de açõesDow Jones Industrial Average (DJIA). É o índice de ações mais antigo dos EUA, e é utilizado até os dias atuais como termômetro dos mercados acionários norte-americanos (principalmente do setor industrial).

Feitas as devidas apresentações do criador, vamos falar da Teoria em si. Ela possui 6 princípios básicos que regem o seu funcionamento. Abaixo veremos em detalhes o que cada um destes princípios representa e de que forma são utilizados dentro da Análise Técnica.

1. OS ÍNDICES DESCONTAM TUDO

Os índices descontam tudo, menos os atos de Deus. Aqui, podemos interpretar "índices" como "preços dos ativos". Charles Dow salientava que todos os fatores que influenciam os preços dos ativos já estão incorporados ao seu preço. Em outras palavras:

Todas as informações relevantes ao ativo — mesmo que conhecidas por apenas alguns poucos investidores — são imediatamente refletidas (descontadas) em seu preço.

Você deve ter notado a semelhança desse princípio com a teoria da HME (Hipótese do Mercado Eficiente) de Eugene Fama. Porém, apesar da eficiência dos mercados, sabemos que eventos imprevisíveis existem. Para Dow, estes eventos são nomeados como "atos de Deus".

Mesmo que não seja possível prever tsunamis ou terremotos, por exemplo, uma vez que esses eventos aconteçam, pelo pressuposto da eficiência do mercado, os preços se ajustam rapidamente, incorporando tais ocorrências e seus efeitos aos preços dos ativos.

2. OS MERCADOS SE MOVEM EM TENDÊNCIAS

O segundo princípio de Dow aborda as tendências de movimento do mercado. As tendências podem ser:

  • De Alta – topos e fundos ascendentes;
  • De baixa – topos e fundos descendentes;
  • Sem tendência ou Lateral – topos e fundos no mesmo patamar e/ou sem clara formação.

Por sua vez, as tendências podem se dividir em três tipos, segundo a sua duração:

  • Tendência Primária - é a principal, representa o movimento mais longo do mercado e pode durar meses ou anos;
  • Tendência Secundária - são as correções e reações do mercado podendo retomar 1/3 a 2/3 do movimento anterior e duram semanas ou meses;
  • Tendência Terciária - são as correções e reações menores que duram algumas semanas a alguns dias.

3. CONFIRMAÇÃO

O terceiro princípio da Teoria de Dow é o Princípio da Confirmação, que se fundamenta pela ideia de que os índices do mercado deveriam caminhar na mesma direção, um confirmando o outro.

Na época de elaboração de seus princípios, a economia norte-americana era impulsionada, principalmente, pela atividade industrial, o que levou Charles Dow a criar e observar os movimentos do Dow Jones Industrial Average (média ponderada da cotação das empresas do setor industrial) e do índice Dow Jones Transportation Average (média ponderada das cotações das empresas do setor de transportes) para determinar tendências.

Em sua visão, um aumento dos lucros do setor industrial significava um aumento de sua produção, o que, por consequência, tinha impacto positivo no setor de transportes (partindo do princípio de que à medida que há maior produção, haverá, por consequência, maior necessidade de transportar os produtos fabricados).

Dessa forma, caso os dois índices se posicionem na mesma direção, a tendência do mercado seria consistente e confiável. Por outro lado, em caso de alguma divergência na direção, uma possível mudança de tendência era esperada.

Pelo Princípio da Confirmação, ao observarmos índices de setores distintos, partindo do pressuposto de existência de uma relação entre eles, é possível aumentar o grau de confiabilidade das análises, validando-as ou indicando possíveis armadilhas.

4. VOLUME E TENDÊNCIA

Em seu quarto princípio, Dow preconiza que o volume confirma a tendência, uma vez que realça ou atenua os movimentos dos preços, sendo uma informação adicional à análise.

Em uma tendência de alta, o volume de negociação deve aumentar na alta, em razão da valorização dos ativos e diminuir nas reações de desvalorização.

Já em uma tendência de baixa, o volume deve aumentar na baixa, em razão da desvalorização dos ativos e diminuir nas reações de valorização.

Portanto, aumentos expressivos de volume podem indicar maior grau de confiabilidade na tendência, enquanto movimentos de preço sem volume sugerem um menor grau. Enquanto não houver um volume alto confirmando a mudança de tendência, a tendência anterior prevalece.


5. PREÇO DE FECHAMENTO

Charles Dow é muito enfático na importância do preço de fechamento. Segundo ele, as máximas e as mínimas do movimento não possuem tanto peso quanto os preços de fechamento. Para ele, o fechamento de um ativo é aquele que reflete o consenso dos investidores em relação à tendência desenvolvida ao longo do dia (ou do período gráfico escolhido).

Por isso, suas estratégias se baseavam exclusivamente neste dado. Assim, todos os seus índices e indicadores (médias móveis por exemplo) baseiam os seus cálculos apenas no preço de fechamento.

6. UMA TENDÊNCIA É VÁLIDA ATÉ QUE SEJA REVERTIDA

Este princípio é muito similar à 1ª Lei de Newton, que estabelece que um objeto em repouso ou movimento retilíneo uniforme tende a permanecer nesse estado se a força resultante sobre ele é nula. Em outras palavras, um corpo tende a continuar em movimento até que outra força oposta o tire deste movimento.

No caso da Análise Técnica, uma tendência é válida até que seja revertida. Um mercado com topos e fundos ascendentes tende a continuar neste mesmo movimento. Os preços não vão cair apenas porque atingiram um nível "alto demais" ou subir porque "já caíram demais".

Uma tendência pode durar meses ou até anos. Enquanto não houver sinais de inversão à tendência vigente, esta não será interrompida. Este princípio procura evitar a prematura troca de posição, fator conhecido como overtrading.

Ufa! Chegamos ao final de mais um artigo da nossa série sobre Análise Técnica. Agora, depois de tanta teoria, no próximo post (finalmente!) vamos nos aprofundar nos gráficos, indicadores, figuras e candlesticks.

Nos vemos em breve!

Pedro Canto @ Hub do Investidor

Analista de Investimentos

CNPI-T | CEA | PQO | MBA