ANÁLISE TÉCNICA PARA INICIANTES | Parte 3

Caros leitores, bem-vindos a mais um artigo da nossa série sobre Análise Técnica! No post de hoje (finalmente!) aprofundaremos os conceitos do maior objeto de apreciação dos traders e investidores: o gráfico! Apresentaremos os diferentes tipos gráficos utilizados nas análises e quais são as informações possíveis de extrair de cada um deles, bem como suas principais características.

Assim, será possível compreender que a maioria dos gráficos representam a variação do ativo em um determinado período de tempo, mas também há aqueles gráficos que são considerados atemporais.

Como já mencionado nos posts anteriores, a análise dos mercados através dos gráficos é muito antiga! Muito mais do que a Análise Fundamentalista. Tendo seus primeiros resquícios de utilização ainda no Japão Feudal.

Assim como o Fluxo de Caixa Descontado é a principal ferramenta da Análise Fundamentalista. Os gráficos são elementos indispensáveis para a Análise Técnica. Então vamos descobrir mais sobre esta ferramenta fascinante que está presente no arsenal de qualquer trader e investidor.

Se você chegou agora e está um pouco perdido, não tem problema! Abaixo estão os links para as Partes 1 e 2. Confere lá!

Parte 1 - https://www.tickmill.com/pt/blog/guia-para-iniciantes-em-analise-tecnica-parte-1

Parte 2 - https://www.tickmill.com/pt/blog/analise-tecnica-para-iniciantes-or-parte-2


TIPOS DE GRÁFICOS

Os preços se movimentam por duas razões: oferta e demanda. O desequilíbrio entre essas duas forças dita a direção dos preços. Por exemplo: se a demanda for maior que a oferta, o preço deve subir; em contrapartida, se a oferta for maior que a demanda, o preço deve cair.

Esses movimentos são refletidos nos gráficos estudados pelos analistas técnicos, traders e investidores. Os tipos de gráficos mais conhecidos são:

  • Gráfico de Ponto e Figura;
  • Gráfico de Linha;
  • Gráfico de Barra;
  • Gráfico de Candlesticks.


GRÁFICO DE PONTO E FIGURA

Este tipo gráfico é o mais antigo entre todos listados. Nos primórdios de Wall Street, não existiam computadores capazes de atualizar as informações em tempo real e os traders da época acompanhavam as oscilações com apenas papel e lápis. Limitados, tinham poucas opções.

Os gráficos de linhas não tinham muitos seguidores porque eram pobres em detalhes intradiários (apenas representavam os preços de fechamento). Candlesticks e barras já possuíam certa aceitação, mas ilustrar uma lista, por exemplo, de 50 ativos ao final de cada pregão era uma tarefa que demandava muito tempo.

Para resolver este problema, os traders de Wall Street inventaram o Gráfico de Ponto e Figura, maximizando tempo, informação diária e design gráfico, pois conseguiam traçar suportes e resistências com maior facilidade em relação às linhas.

Entretanto, este tipo de gráfico foi caindo em desuso à medida que a tecnologia avançava e os computadores estavam cada vez mais presentes nas ferramentas dos traders e analistas do mercado financeiro.

O Gráfico de Ponto e Figura é classificado como um gráfico atemporal, ou seja, se preocupa exclusivamente na relação oferta e demanda do mercado. Ele foi desenvolvido para filtrar o movimento dos preços independente do tempo. Dentre as principais vantagens podemos citar:

  • Elimina com eficiência os ruídos do mercado;
  • Consegue-se traçar com mais clareza suportes, resistências e linhas de tendência;
  • O trader opera com mais fluidez os movimentos de longo prazo;
  • Indica com mais precisão os pontos de stop.


Cada alta dos preços do ativo é representada por um “X“, ao passo que uma coluna de X significa que os preços estão subindo. O contrário se diz para ao “O“, que significa que os preços estão em queda. Cada X e O ocupa um Box do gráfico. Para a construção do gráfico, são utilizadas apenas as cotações de máxima e mínima de cada dia.



GRÁFICO DE LINHA

Talvez o tipo gráfico mais comum (e mais simples). É formado pela junção, por uma linha, entre os preços de fechamento de cada dia. É um gráfico de fácil interpretação, além de estar alinhado ao 5º princípio da Teoria de Dow, que atribui importância máxima ao preço de fechamento.

Entretanto, sua simplicidade é seu maior defeito. Comparado com outros tipos gráficos, ele deixa muitas informações dos preços dos ativos de fora da análise, como: máxima, mínima e fechamento.



GRÁFICO DE BARRA

Assim como o gráfico de candlesticks, ele nos fornece 4 informações:

  • Preço de Abertura;
  • Preço de Máxima;
  • Preço de Mínima;
  • Preço de Fechamento.

Também conhecido como OHLC. Ele possui características muito similares ao gráfico de candlesticks. Sua principal diferença se dá no fato de não existir o corpo dos candlestick. Ou seja, a região compreendida entre o Preço de Abertura e o Preço de Fechamento é representada por uma barra.

A representação segue uma convecção universal. A barra da esquerda, sempre representa o Preço de Abertura. Enquanto a barra da direita, sempre representa o Preço de Fechamento.

Assim como no caso dos candles , as colorações das barras indicam altas e quedas.





GRÁFICO DE CANDLESTICKS

Atualmente é o tipo de gráfico mais utilizado pelos trades, investidores e analistas do mercado financeiro. Em outras palavras, é o mais utilizado na Análise Técnica. Ele possui esse nome pois sua representação gráfica parece uma vela (em inglês, candle).

Similar ao gráfico de barras, ele também nos fornece as mesmas 4 informações de preços: Abertura, Máxima, Mínima e Fechamento. Cada candle representa a variação do ativo em um determinado período. Ele é composto por duas partes:

  • O corpo – situado entre a abertura e o fechamento;
  • As sombras (ou pavios) – situados entre além dos corpos.

O “corpo” dos candles, mostra o valor atingido pelo preço na abertura e no fechamento. Já a “sombra” (a linha vertical ligada ao candle), mostra o preço mínimo e o máximo do período.

Assim como no caso do gráfico de barras, as colorações dos candles indicam movimentos de alta ou queda dos preços. Aqui não existe uma convenção única, entretanto, geralmente os candles de alta são representados pela cor verde ou branco (candles vazados); e os candles de baixa são representados pela cor vermelha ou preto (candles preenchidos).




Um determinado padrão de candlestick (ou até mesmo uma sequência de padrões) pode representar que os preços estão perdendo ou ganhando força na tendência de alta ou baixa. Assim, essas informações são indicações importantes, e os iniciados em Análise Técnica conseguem extrair informações que indicam se você deve comprar ou vender o ativo. Estas informações recebme o nome de Padrões de Candlestick.


A análise dos Padrões de Candlestick é um assunto à parte e extenso. E será abordado nos posts futuros.


Entretanto, para não deixá-los curiosos, abaixo listamos os principais Padrões de Candlesticks:

  • Estrela Cadente
  • Enforcado
  • Engolfo
  • Nuvem Negra (Dark Cloud)
  • Martelo
  • Martelo Invertido
  • Harami (Mulher Grávida)
  • Estrela da Manhã
  • Estrela da Tarde
  • Dojis



CONCLUSÃO

Aqui poderíamos argumentar que a escolha do gráfico é particular de cada investidor. Isto é verdade. Entretanto, a maioria esmagadora dos adeptos da Análise Técnica utiliza o Gráfico de Candlesticks em suas análises.

Sua teoria e prática são amplamente difundidos e, inclusive, amplamente empregados em plataformas de trading. Alguns gráficos, como o de Ponto e Figura, atualmente são mais difíceis de serem encontrados nas plataformas e corretoras de valores.

Portanto, como recomendação, o melhor é focar no estudo do Gráfico de Candlesticks.

Abaixo deixamos uma imagem que ilustra de uma forma muito didática os principais tipos gráficos empregados na Análise Técnica, assim como as suas diferenças.

Nos vemos em breve!





Pedro Canto @ Hub do Investidor

Analista de Investimentos

CNPI-T | CEA | PQO | MBA