ANÁLISE TÉCNICA PARA INICIANTES | Parte 4

Caros leitores, bem-vindos a mais um artigo da nossa série sobre Análise Técnica! Após um breve descritivo histórico e um pouco de teoria a respeito dos seus fundamentos, finalmente no último post, aprofundamos os conhecimentos nos gráficos em si. Abordamos os principais tipos de gráficos utilizados na Análise Técnica: Ponto e Figura, Linha, Barra e Candlestick. Também comentamos as características, vantagens e desvantagens de cada um.

Agora que aprofundamos um pouco mais os nossos conhecimentos sobre esta ferramenta essencial a traders, investidores e analistas ao redor do mundo. Vamos começar a estudar e, aprender a interpretar os sinais que os gráficos nos enviam. Mais especificamente, iniciaremos os estudos das Figuras Gráficas.

O que estes padrões gráficos indicam, qual o comportamento mais provável para os preços e de que forma podemos nos posicionar nos mercados para obtermos sucesso em nossas operações.

Se você chegou agora e está um pouco perdido, não tem problema! Abaixo estão os links para as Partes 1, 2 e 3. Confere lá!

Parte 1 - https://www.tickmill.com/pt/blog/guia-para-inician...

Parte 2 - https://www.tickmill.com/pt/blog/analise-tecnica-para-iniciantes-or-parte-2

Parte 3 - https://www.tickmill.com/pt/blog/analise-tecnica-para-iniciantes-or-parte-3


FIGURAS GRÁFICAS

De maneira geral, as Figuras Gráficas são formas geométricas que podem ser identificadas nos gráficos, ou seja, são padrões visuais.

Antes de mais nada, é importante relembrar que os preços são formados por meio das forças de mercado (oferta e demanda), o que consequentemente se reflete nos padrões a serem analisados, ou seja, pelo comportamento dos participantes no mercado.


As figuras gráficas trazem uma ideia dos últimos movimentos e comportamentos do mercado.


A partir da análise desses padrões, é possível identificar de que forma o preço está se movendo (se está em tendência de alta, de baixa ou consolidado). Assim, podemos entender quais são os sinais que o mercado oferece em cada figura, e quais as oportunidades de trade estão à nossa disposição.

Basicamente, as Figuras Gráficas são divididas em 2 grandes grupos:

  • Padrões de Reversão
  • Padrões de Continuação


PADRÕES DE REVERSÃO

Como o nome sugere, são padrões gráficos que sinalizam uma possível reversão da tendência de preços vigente. Se encontram em Topos e Fundos (Reversão de Baixa e Reversão de Alta, respectivamente); ou em outros pontos de interesse do mercado, como: Médias Móveis, Alvos e Retrações de Fibonacci, Linhas de Tendência e Suportes/Resistências.

Abaixo listamos os padrões que fazem parte desta classe:

Reversão de Baixa

  • Topo Duplo
  • Topo Triplo
  • Ombro-Cabeça-Ombro (OCO)

Reversão de Alta

  • Fundo Duplo
  • Fundo Triplo
  • Ombro-Cabeça-Ombro Invertido (OCOI)


TOPOS DUPLOS E TRIPLOS

São padrões de reversão baixistas, que envolvem 2 ou 3 topos situados no mesmo nível (resistência) e 1 ou 2 fundos entre eles. Por conta de seu formato, o Topo Duplo é conhecido como “M”.

O Topo Triplo é menos comum do que o Topo Duplo, e leva mais tempo para sua formação. Entretanto, possui mais força e maior probabilidade de uma reversão de preços.




FUNDOS DUPLOS E TRIPLOS

Ao contrário dos padrões anteriores, são padrões de reversão altistas, que envolvem 2 ou 3 fundos situados no mesmo nível (suporte) e 1 ou 2 topos entre eles. Por conta de seu formato, o Fundo Duplo é conhecido como “W”.

O Fundo Triplo é menos comum do que o Fundo Duplo, e leva mais tempo para sua formação. Entretanto, possui mais força e maior probabilidade de uma reversão de preços.


OMBRO-CABEÇA-OMBRO (OCO)

Assim como as demais figuras gráficas, seu nome é autoexplicativo. Sua formação se assemelha ao perfil de um humano com os dois ombros mais ou menos na mesma altura e, entre eles, uma sequência mais alta de candles (cabeça). O OCO ocorre sempre em Topos.

Possui grande similaridade com o Topo Triplo. Entretanto, o topo intermediário é mais alto do que os outros 2 topos.

É possível interligar os fundos da figura por uma reta denominada neckline ou Linha de Pescoço.



OMBRO-CABEÇA-OMBRO INVERTIDO (OCOI)

De forma análoga ao OCO, a formação do OCOI se assemelha ao perfil invertido de um humano com os dois ombros mais ou menos na mesma altura e, entre eles, uma sequência mais baixa de candles (cabeça). O OCOI ocorre sempre em Fundos.

Possui grande similaridade com o Fundo Triplo. Entretanto, o fundo intermediário é mais baixo do que os outros 2 fundos.

É possível interligar os topos da figura por uma reta denominada neckline ou Linha de Pescoço.



PADRÕES DE CONTINUAÇÃO

Como o nome sugere, são padrões gráficos que sinalizam uma continuação da tendência de preços vigente. Nestes padrões podemos observar uma certa regressão do movimento prévio, uma espécie de descanso, como se os participantes do mercado estivessem tomando fôlego para continuar o movimento.

Abaixo listamos os padrões que fazem parte desta classe:

  • Retângulo
  • Triângulos
  • Bandeira
  • Flâmula
  • Cunhas


RETÂNGULO

O Retângulo, como o nome sugere, é uma congestão formada por candles bastante sobrepostos sem nenhuma tendência definida. Nota-se que, dentro do retângulo demarcado, os preços se movem de forma lateralizada, respeitando um limite máximo (resistência) e mínimo (suporte), com as amplitudes dos movimentos delimitadas por ambos.

A saída de uma congestão geralmente se dá por meio de um grande candle que rompe o limite da figura para um dos lados. Suas entradas são, geralmente, na direção da tendência principal, já que é uma figura de continuação.



TRIÂNGULOS

O Triângulo Ascendente é uma formação que ocorre durante uma tendência de alta, como uma continuidade da tendência, e em algumas situações pode ocorrer em momentos de consolidação. O rompimento do triângulo traz boas oportunidades e na maioria das operações apresenta uma maior segurança.

Durante a formação do padrão os triângulos, geralmente, apresentam diminuição do volume, havendo um aumento significativo apenas na região de corte (rompimento), o que é um sinal bastante importante e que valida o movimento de rompimento.

O Triângulo Ascendente é formado a partir do desenho de duas linhas de tendência que conectam os fundos ascendentes e a resistência.


O Triângulo Descendente é exatamente oposto ao exemplo anterior. Ocorre durante uma tendência de baixa, como uma continuidade da tendência, e em algumas situações pode ocorrer em momentos de consolidação. Ele é formado a partir do desenho de duas linhas de tendência que conectam os topos descendentes e o suporte.


O Triângulo Simétrico tipicamente representa indecisão e uma consolidação dos preços. Os Topos e Fundos atingem amplitudes cada vez menores. Assim como em outras situações de consolidação, o volume de negociação tende a diminuir durante a sua formação.


BANDEIRAS

Esse padrão forma no gráfico uma figura parecida com uma bandeira com mastro. Nas Bandeiras de Alta o mastro é formado por uma sequência ascendente de candles, seguidos por uma sequência de candles ligeiramente descendentes (bandeira), que se assemelham a um pequeno canal de baixa.

Nas Bandeiras de Baixa, o comportamento é análogo, ou seja, o mastro é formado por uma sequência descendente de candles que é interrompida por uma formação de candles ligeiramente ascendentes (que se assemelham a um pequeno canal de alta).

Em ambas as figuras, após a formação da bandeira, o rompimento ocorre com um candle de confirmação, acionando o gatilho de entrada na operação. O alvo do trade será exatamente a altura do mastro, projetada a partir do ponto de rompimento.

Podemos resumir o comportamento deste padrão em 3 etapas:

  1. Movimento de tendência inicial
  2. Correção do movimento
  3. Retomada do movimento de tendência anterior


FLÂMULAS

Possuem comportamento similar ao das Bandeiras. A diferença fundamental entre uma bandeira e uma flâmula é o formato do padrão corretivo.

Enquanto as bandeiras apresentam topos e fundos paralelos durante o padrão corretivo (parecidos com retângulos ou canais de alta/baixa). As Flâmulas apresentam um dos lados da figura fixo, ou seja, formam-se figuras parecidas com triângulos nos padrões corretivos.


CUNHAS

São formações gráficas em que as flutuações dos preços ficam contidas entre duas linhas convergentes, mas que se diferenciam dos triângulos por serem ambas, simultaneamente, inclinadas para cima ou para baixo. O padrão do volume é similar aos dos triângulos e retângulos, diminuindo substancialmente durante sua formação.

Podem gerar um pouco de confusão por serem padrões contraintuitivos. Pois existe uma leve retração da tendência, antes de se iniciar a nova onda de movimentos.


Suas definições têm o sentido oposto às suas designações, isto é, uma cunha descendente é altista e uma cunha ascendente é baixista.



Pedro Canto @ Hub do Investidor

Analista de Investimentos

CNPI-T | CEA | PQO | MBA